OS SIGNIFICADOS DOS DEZ MANDAMENTOS

A presença de Deus é tão real quanto as batidas do meu coração. - Autor desconhecido

Segundo o Velho Testamento, os Dez Mandamentos, ou Decálogo, foram transmitidos por Deus a Moisés nas Tábuas da Lei. Encerram toda a Lei de Deus e, embora no Livro do Exôdo se apresentem em dezassete versículos, são efetivamente apenas Dez Mandamentos. Analisá-los-emos:

1.º Adorar a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas
Neste Mandamento, é-nos ordenado que tenhamos apenas um só deus (Deus cristão) e que o amemos, que o adoremos, que lhe sirvamos e que nele creiamos. Falta ao 1.º Mandamento quem despreza a religião, quem não procura fundamentar as verdades da sua fé, quem segue outras teorias falsas, etc.

2.º Não usar o Santo Nome de Deus em vão
Ter sempre respeito a Deus, cumprir os votos e as promessas religiosas é o que nos ordena Deus no 2.º Mandamento. Quem disser mal de Deus, quem por Ele não tiver respeito e quem inventar falsos juramentos não cumpre com este Mandamento.

3.º Santificar domingos e festas de guarda
Neste que é o 3.º Mandamento, Deus manda-nos honrar os domingos (indo à missa, por exemplo) e as festas de guarda (as festas das aldeias, por exemplo). Falta a este Mandamento quem ocupa os domingos com trabalhos forçados e quem não vá à missa.

4.º Honrar pai e mãe (e outros legítimos superiores)
Deus ordena-nos que amemos, respeitemos, obedeçamos e ajudemos os nossos pais e superiores (avós, tios, chefes, patrões, encarregados, professores, entre outros). Falta ao 4º Mandamento quem  os desrespeitar e lhes desobedecer.

5.º Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao seu próximo)
No 5.º Mandamento, Deus manda-nos querer bem aos outros como a nós mesmos não fazendo aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem. Neste Mandamento, Deus ordena-nos também a amar-nos a nós mesmos, algo que normalmente não é transmitido às pessoas, não nos auto-prejudicando física e psicologicamente ao magoar-mo-nos de propósito ou desencorajar-mo-nos a nós próprios, por exemplo. Falta ao 5.º Mandamento quem cometer suicídio e/ou homicídio, quem praticar violência ou fizer mal físico ou psicológico a alguém.

Obras de Misericórdia (formas de fazer o bem aos outros)
Corporais:
- Dar de comer a quem tem fome;
- Dar de beber a quem tem sede;
- Vestir os nus;
- Dar pousada aos peregrinos;
- Assistir aos enfermos;
- Enterrar os mortos.

Espirituais:
- Dar bom conselho;
Ensinar os ignorantes;
Corrigir os que erram;
Consolar os tristes;
Perdoar as injúrias;
Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
Rogar a Deus por vivos e defuntos.

6.º Guardar castidade nas palavras e nas obras
Deus ordena-nos que respeitemos o nosso corpo e os dos outros, cuidando de nós com uma boa alimentação e aceitando-nos mutuamente sem humilhar o outro porque é muito magro ou muito gordo, por exemplo. Falta ao 6.º Mandamento as pessoas que fizerem ações imorais.

7.º Não furtar (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo)
Respeitar e devolver os bens dos outros bem como pagar o justo salário e reparar os prejuízos caso sejamos os culpados é o que nos ordena Deus no 7.º Mandamento. Quem roubar e prejudicar os bens das outras pessoas não cumpre com este Mandamento.

8.º Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo)
Neste Mandamento Deus manda-nos dizer sempre a verdade mesmo que esta seja a mais cruel, guardar os segredos, levar as ações dos outros no bom sentido e reparar a fama de outrem caso a tenhamos danificado. Quem mentir e levantar falsos testemunhos contra algo ou alguém não é cumpridor do 8.º Mandamento.

9.º Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos 
Ter prudência nas palavras e gestos que proferimos para que não sejam mal interpretados é o que nos manda Deus neste Mandamento. Quem consentir com maus desejos e pensamentos não cumpre com este Mandamento.

10.º Não cobiçar as coisas alheias
Deus ordena-nos que não tenhamos inveja dos outros e dos seus bens e que sejamos cautelosos e moderados na vontade de melhorarmos a nossa situação. Quem alimentar o desejo de roubar ou tiver uma grande ambição por grandes riquezas e tesouros não cumpre com o último dos Dez Mandamentos.

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Espero que tenham gostado deste artigo e que tenha sido esclarecedor. São católicos (praticantes)? Gostavam que fizesse mais artigos sobre a vida cristã e religião?

Com amor,
Francisca

O COMPLEXO DE UMA SIMPLES VIDA

"você me diz para ficar quieta porque
minhas opiniões me deixam menos bonita
mas não fui feita com um incêndio na barriga
para que pudessem me apagar 
não fui feita com leveza na língua
para que fosse fácil de engolir
fui feita pesada
metade lâmina metade seda
difícil de esquecer e não tão fácil
de entender" - Rupi Kaur 


Já sei como quero ser e o que quero ter na minha vida. 

Quero acordar todas as manhãs com o cacarejar do galo ou com os primeiros raios de sol a entrarem pela janela cujas persianas não fechei no anterior crepúsculo propositadamente. Quero passar as mãos pelos claros lençóis de flanela e sentir a maciez de uma vida. Levantar-me e lavar a cara com água bem fresquinha e respirar as primeiras partículas da manhã quando ainda um país dorme. Sentar-me num jardim silencioso, fechar os olhos, meditar e comunicar com Ele. Quero comer o pão fresco de centeio a ouvir os Quatro e Meia ou Anavitória.  Quero adormecer numa rede totalmente descalça, correr até não mais poder. Quero adormecer calmamente após um reconfortante chá de camomila tomado no púcaro antigo. Quero ser embalada pelo canto da maresia. Ser acarinhada por alguém. Acarinhar os meus. Acarinhar os de outrem. Ser como Ele. Quero rir de tanto chorar e chorar de tanto rir. Quero escrever, ler, viajar, cantar, dançar, assistir, visualizar, minimizar, reutilizar, reeducar. Enfim, conhecer. 

Quero uma vida complexamente simples.

Com amor,
Francisca

BEM ME QUERO | CELEBRAÇÃO DE UM CONTRATO CONNOSCO PRÓPRIOS (AS)

Eu não mudei, eu só não quis ser mais assim. - D.A.M.A, in Oquelávai

Considero que devemos ser o nosso melhor amigo porque se não nos amarmos, então ninguém o fará por nós nem conseguiremos amar e ver o mundo de uma forma otimista e positiva. Durante muito tempo não foi a minha melhor amiga. Dizia coisas muito más a mim mesma (porque nunca largamos o nosso diálogo interior) como "Tu não consegues.", "És demasiado burra para conseguires fazer isso." ou ainda "Eu (às vezes) odeio-te.". 

Ainda estou a aprender a ser a minha melhor amiga pois recomecei esta fase de auto-reconhecimento e auto-reconstrução com a celebração de um contrato comigo mesma. Deixo-o num local visível para que todos os dias o possa ler e lembrar-me do meu propósito para a vida: ser a minha melhor amiga. Enunciei-o num sábado de manhã, um dia em que me sentia particularmente bem comigo mesma. Acendi uma vela, sentei-me à secretária e, sentindo-me confortável, comecei a redigi-lo.

É a minha dica para vós. Comecem esta jornada precisamente com este exercício: criem um ambiente confortável num dia em que se sintam neutras ou bem para convosco mesmas (porque se escolherem um dia em que se sintam pessimistas não escreverão nada bom) e enunciem este ou um outro contrato à vossa maneira - sintam-se livres!

Sugestão de um contrato baseado no de Maria Helena Martins, no seu livro O meu segredo
«Eu, __________ (escrever nome completo) celebro este contrato comigo para assumir o compromisso de, a parti do dia _______ (escrever data) defender os meus direitos e não permitir que nada nem ninguém me faça esquecê-los. 
Eu, _________ (repetir nome completo), declaro pelo presente contrato que sou a pessoa mais importante da minha vida. Como tal, seguem os meus direitos que passarão doravante a ser respeitados por mim e por todas as pessoas que estão à minha volta ou que lidam comigo.»

De seguida, devem ser enunciados os direitos que, a partir desse dia, deverão passar a ser respeitados por nós e pelos outros: "Eu permito-me errar.", "Eu posso ser superior às críticas destrutivas provenientes de alguém que não almejo ser.", etc. Enunciem os direitos que acharem mais adequados a vós e à vossa situação. Levem o vosso tempo e escrevam uma frase ou cinco páginas - são vocês a decidir. Por fim, podem terminar da seguinte forma:

«Reforçando que todas as cláusulas referidas no presente contrato serão respeitadas e por mim defendidas,» e assinam o vosso nome completo.

Irão celebrar o vosso contrato? Podem ainda escrever que sabem que não estão sozinhos(as) nesta jornada e que, no fim, serão pessoas ainda mais fortes e os vossos melhores amigos. 

Com amor,
Francisca

O MEU PLANNER SEMANAL - DOWNLOAD GRATUITO

Trabalha com método. A confusão é inimiga da perfeição. - Autor desconhecido

Tal como vos apresentei no post da minha organização no ano de 2018, irei utilizar um planner para me organizar a nível semanal. Não gostei realmente de nenhum que vi à venda porque eram demasiado coloridos, demasiado "cheios" a nível estético e visual. Gosto de coisas mais minimalistas e, como se trata de algo com que lidarei diariamente durante 365 dias, decidi fazê-lo ao meu gosto.

O planner é ideal para as 52 semanas do ano. Além de um espaço para a identificação das mesmas, apresenta também sete divisórias para cada dia da semana e mais duas para tarefas a fazer sem dia próprio e para anotar algo mesmo importante.


Decidi disponibilizar o planner em formato PDF para o poderem utilizar de igual forma. Concebi-o em tamanho A5 mas se não vos for possível imprimi-lo com essas dimensões (porque há centros de cópias que não o fazem), disponibilizei-vo-lo também em tamanho A4 para poderem recortar ao meio. 


Como montei o meu planner semanal?

Depois de imprimir as folhas em tamanho A4, cortei-as ao meio e juntei-as todas. Seguidamente, coloquei várias camadas de cola branca para ficar bem seguro. 
Se esta forma não vos agradar, sinta-me livres para formular o vosso planner da forma que melhor entenderem.

Se utilizarem este planner não se esqueçam de me enviar as vossas fotografias ou de utilizar a hashtag #apenasfrancisca.

Com amor,
Francisca

BEM ME QUERO | A NOSSA COMUNIDADE

Nasceste para ser real, não perfeito(a). - Demi Lovato

Amor próprio e autoestima são duas coisas a que há alguns anos não dava a mínima importância pois, muito honestamente, não sentia qualquer tipo de pressão. Falo, está claro, dos momentos da minha infância. Com o passar dos anos e com uma cada vez maior perceção do que é o mundo e de como ele nos tenta impingir certos padrões. Comecei a ir-me abaixo em certos aspetos da minha vida: emocional, físico e psicológico e, infelizmente, isso acabou por influenciar-me a nível académico e nas minhas relações de família, amizade, etc. 

Quando me apercebi do que estava a acontecer-me, o que estava a fazer à minha vida e à minha relação com o mundo e com as outras pessoas, apenas contei a uma pessoa. Estou a tornar público para a minha família e para os meus amigos e para o mundo neste exato momento e se por um lado parece libertador, pelo outro sinto o coração apertadinho sem qualquer motivo racional.

Foi desta forma que num dos meus blogues anteriores, iniciei uma rubrica de auto-conhecimento e auto-reconstrução denominada Bem me quero. Como disse no post em que a introduzi, nessa altura, atravessava uma fase de auto-reconstrução na qual estava a re-aprender a amar-me, a aceitar-me tal como sou e a valorizar-me. Na verdade, estava e ainda estou porque há fases mais boas e fases menos boas - mas sei que não estou sozinha.



A rubrica Bem me quero, a nossa comunidade de partilha de histórias, de reflexões, de exercícios, entre outros, continuará neste blogue. Publicações novas ou antigas mas melhoradas farão parte desta nossa nova jornada que vai ser longa mas tornar-nos-á mais fortes, acreditem.

O logótipo desta nossa comunidade é uma flor de lotus. Esta é uma espécie que floresce no meio de lodo, vindo à superfície em busca de luz; e tem a particularidade de repelir insetos e outros microorganismos para que estes não a danifiquem. A flor de lotus, na nossa comunidade Bem me quero, simboliza o nosso florescimento em busca da nossa luz, no meio de toda a confusão que é o mundo (lodo), repelindo ao máximo tudo aquilo que nos machuque ou nos faça ir abaixo (insetos e microorganismos).

Vamos fazer isto por nós. 💛

Com amor,
Francisca

17 COISAS QUE 2017 ME ENSINOU

Não tenha medo da mudança. Ela assusta mas pode ser a chave da porta que deseja abrir. - Autor desconhecido.
A palavra que melhor descreve o meu ano de 2017 é "mudanças". Mudei para uma escola no centro da cidade no meu último ano do secundário, criei um novo blogue com o meu nome, cortei o cabelo bem curtinho, a minha casa sofreu obras, a minha lista de amigos encurtou... Foram muitas as alterações que este ano trouxe para a minha vida, as quais me deram muitas lições que passo a apresentar-vos:

1. Pouca pessoas se importam com as nossas derrotas e ainda menos se importam com as nossas vitórias

Pude comprovar este facto muitas vezes neste ano. Incrivelmente, a vida encarregou-se de me ensinar que nas derrotas, poucos estão presentes; na vitória ainda menos estão.

2. O nosso  melhor amigo só podemos (e devemos!) ser nós

Em 2017 atravessei uma fase de revolta para comigo mesma em que me auto-sabotava diariamente com pensamentos e ações negativas, o que me fez mal a nível individual e social. Aprendi que mais ninguém pode nem deve ser o nosso melhor amigo se não nós mesmos pois ninguém nos conhece tão bem como nós próprios e ninguém nos poderá amar tanto como nós deveremos amar-nos.

3. Nem sempre o nosso esforço é imediatamente recompensado

Embora seja algo que 2017 me ensinou, é também algo que ainda não consegui interiorizar por ser uma pessoa que gosta e quer ter resultados rápidos, que quer ter os frutos fora da sua estação respetiva. Não pode ser, tenho/temos de ser paciente(s) e continuar a batalhar.

4. A nossa família está lá sempre para nós

No verão do ano que agora finda, ouvi um senhor em Arcozelo dizer "Esqueça os outros. Os seus verdadeiros amigos estão aqui." e referia-se à minha família. Desde esse dia que considero a minha família o meu pilar e, acreditem, é a base que está lá sempre para não cairmos.

5. Há pessoas que chegam e ficam nas nossas vidas e há outras que simplesmente permanecem nelas durante um curto espaço de tempo

Como disse acima, em 2017 a minha lista de amigos encurtou consideravelmente precisamente por esta lição: algumas pessoas são meros passageiros nas viagens das nossas vidas.

6. A confiança é algo que deve ser construída de forma progressiva

Com a mudança de escola, conheci muitas pessoas novas. Embora não tenha feito ainda grandes amizades, já conheci pessoas maravilhosas que me ensinaram precisamente isto: devemos ir-nos dando a conhecer aos outros devagarinho. De igual forma, devemos escolher conhecer as outras pessoas a uma lenta velocidade, apreciando cada qualidade e nova característica suas que descobrimos.

7. Não vale a pena estar numa relação (amorosa ou amigável) em que não há reciprocidade

Eliminei muitas amizades tóxicas neste ano por serem os meros passageiros como referi acima e por serem aquele género de pessoas que nos aspiram toda a nossa energia boa e positiva, fazendo-nos sentir tristes, confusos e desamparados. Se queremos receber, devemos dar. Mas o inverso é de igual forma importante.

8. O conceito de amizade é diferente para muitas pessoas

Se não mesmo para todas! O meu conceito de amizade é bastante restrito atualmente pelos sofrimentos de outrora. Já outras pessoas têm uma mais ampla definição para a mesma coisa que eu.


9. Comemorar não é sinónimo de álcool, música alta e gritos

Neste ano percebi que os momentos rodeados pelas pessoas certas num silêncio acolhedor e com boa comida são a melhor forma de comemorar seja o que for, para mim, é claro. 

10. As pessoas têm sempre mais que uma faceta

E algumas delas surpreendem-nos quer pelo lado positivo, quer pelo lado negativo.

11. A autoestima cresce com o amor, a paz e a (auto)aceitação

Devido à fase destrutiva que acima descrevi, pude compreender a fonte da minha autoestima (e possivelmente a de todos). Enalteço-me ao contemplar o amor das pessoas por pessoas, dos animais por pessoas, das pessoas por animais, das pessoas pela poesia, das pessoas pelo que fazem. Enalteço-me no meu silêncio e na minha aceitação e na do mundo em meu redor.

12. Termos algo superior em que acreditar dá-nos um motivo misterioso para viver

Em 2017 redescobri a minha religião e constatei que acreditar em Deus e em Jesus me faz querer estar aqui presente neste planeta para sentir o seu poder.

13. Quem pratica o mal recebe o mal, quem pratica o bem recebe o bem

Em poucas palavras, a vida tratou de me ensinar que o karma realmente existe e age. Não vale a pena nos preocuparmos com qualquer ação de índole vingativa porque a vida encarrega-se de o fazer.

14. A literatura é o melhor escape e espelho à/da realidade

Tendo voltado a praticar uma atividade de grande prazer, a leitura, pude contemplar o verdadeiro espelho que está é da sociedade em cada metáfora idealizada pelo autor. Pude também constatar que a leitura é a melhor forma de deixarmos tudo de lado e, por vezes, é nela que encontra-mos a chave para os nossos problemas.

15. O mundo é mais complexo do que aquilo que imaginamos

As pessoas são realmente diferentes, há corrupção até nas mais pequenas coisas, guerras que não findam... A lista é longa.

16. Há pessoas genuinamente boas

Apercebi-me há medida que fui conhecendo novas pessoas este ano que muitas são genuinamente boas, o que considero já raro nesta geração.

17. Iremos aprender até ao nosso último segundo de vida

A minha família desde sempre me incutiu este ideal e neste ano fez questão de o relembrar de uma forma constante e maravilhosamente oportuna. Gostaria de relembrar que não somos nenhuns sabichões e que até o Homem mais sábio do mundo não saberá algo. Eu só sei que nada sei.

Que venha 2018. 💛

Com amor,
Francisca

COMO ME ORGANIZAREI EM 2018

Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e fazê-lo bem feito. - Pitágoras

Refletir sobre os métodos de organização que funcionaram comigo no ano que agora finda e decidir qual a forma que me vai permitir ter uma vida mais planeada e regrada são ações que gosto de praticar em antemão, isto é, antes do início do novo ano - esta é uma grande dica que vos dou para que o ano comece logo organizadinho.

O sistema de Bullet Journal, utilizado por mim em 2017, não foi o melhor. Sentia-me perdida porque não conseguia planear a longo prazo. Também o facto de ser tão perfecionista com tudo não me permitiu continuar a utilizá-lo. Foi este o mote que me levou a utilizar os primeiros dias da minhas férias de Natal para pesquisar um pouco sobre  as formas organizacionais que melhor se ajustam a mim. 

Deste modo, optei por, em 2018, me organizar de três formas diferentes: a nível mensal, semanal e diário. Para cada um destes momentos temporais tenho o devido instrumento de auxílio (chamemos-lhes assim).


A nível mensal

A minha organização a nível mensal visa o planeamento a longo prazo, isto é, eventos que sei que ocorrerão num determinado dia e numa determinada hora: testes, apresentações de trabalhos, entregas de relatórios, consultas, aniversários, entre outros. Utilizarei a aplicação Google Calendar como meio de auxílio dado que posso consultar e alterar eventos onde quer que esteja sendo, desta forma, mais prático.

A nível semanal

No início de cada semana que, para mim, são os domingos à noite, organizá-la-ei com o auxílio do planner semanal por mim concebido (poderei facultá-lo em PDF, caso desejem). Anotarei as tarefas de forma objetiva a fazer em cada dia da semana, por exemplo: "Rever matéria x.", "Escrever post y." - e as tarefas que precisam de ser realizadas naquela semana mas que não têm dia definido devido à sua flexibilidade. Também anotarei eventos para essa semana, com base no calendário mensal, bem como as respetivas horas; exercícios físicos que queira fazer nessa semana; etc. Este planner semanal ficará em casa, na minha secretária.

A nível diário

Por fim, em cada dia anterior organizarei o meu dia seguinte baseando-me no planner semanal. Utilizarei uma agenda de vista diária, que trarei comigo diariamente, pois, além das tarefas já estipuladas para o dia, poderão surgir tarefas urgentes ou de última hora que terei de efetuar - como trabalhos de casa, um recado pedido pelos pais ou pelos avós, coisas deste género. A minha agenda para 2018 foi oferecida pela minha sogrinha e, embora seja da marca Ambar, foi personalizada pela loja bem-te-quero.

Organização do blogue

No início de cada mês, estipularei todos os posts a fazer no blogue (tentarei que seja, no mínimo, um por semana) também no Google Calendar para que possa, posteriormente, adicionar às minhas listas de tarefas as suas redações, edições, publicações, promoções, por aí adiante. Quanto às ideias para posts que surgem espontaneamente e que, normalmente, costumava apontar num papel, irei de imediato apontá-las no Evernote com o possível título e tópicos a abordar.

Evernote

Além das ideias de posts para o blogue, no Evernote também apontarei outras coisas e farei listas que, normalmente, são feitas a papel e caneta: classificações das avaliações ao longo do ano, lista de compras, livros para ler, filmes para ver, etc. (Farei um post mais adiante a explicar efetivamente a minha organiação com esta maravilhosa ferramenta).

Este será o meu método de organização em 2018. E vocês, como se organizam/organizarão?

Com amor,
Francisca

É SÓ SEGUIR A ESTRELA | FELIZ NATAL

Estamos próximos ao Natal: teremos luzes, festas, árvores luminosas e presépio. Tudo falso: o mundo continua fazendo guerras. O mundo não entendeu o caminho da paz. - Papa Francisco

À medida que fui crescendo fui-me apercebendo de que a magia do Natal que desde cedo me foram incutindo desapareceu. Não acredito no Pai Natal, não ligo quase nada a decorações natalícias e não considero os presentes a parte mais importante desta época festiva - para mim, o Natal não é nada disto.

Considero o Natal aquilo que Deus quer que ele realmente seja: depois de um tempo de renascimento pessoal, social e espiritual (o tempo do advento), eis que (re)nasce Jesus, filho de Deus, que veio ao mundo para espalhar mensagens de amor, de paz, de perdão, de erradicação da luxúria, de humildade (simbolizada até pelo sítio em que veio ao mundo)... Então, não nos esqueçamos daque'Ele que é o verdadeiro motivo deste tempo festivo.

Votos de um feliz e santo Natal. 

Com amor,
Francisca 

"SE ISTO É UM HOMEM", PRIMO LEVI - RESENHA

É homem quem mata, é homem quem faz ou sofre injustiças; não é homem quem, perdida qualquer vergonha, divide a cama com um cadáver. - Primo Levi, in Se Isto É Um Homem


Conta-se pelos dedos de uma mão a quantidade de autobiografias que li até hoje. Gosto de ler obras deste género quando tratam de um tema ou período polémico que, infelizmente, teve lugar na nossa História internacional. Se isto é um homem é o retrato na primeira pessoa de Primo Levi, um italiano com ascendência judaica que, aos 24 anos, foi deportado para o campo de concentração e extermínio nazi em Auschwitz.

Tal como foi escrito no The Guardian, Levi tem a capacidade de falar de um tema ao qual esteve inteiramente ligado com uma voz tranquila, o que, honestamente, me chocou porque eu só consigo imaginar o vazio, a mágoa e a revolta sentidos pelos prisioneiros (pelos que ainda conseguiam sentir algo). Alguém falar tão abertamente sobre o trauma da sua vida mudou a minha, falando sem qualquer dramatismo. Desde as seleções quando chega ao campo até às seleções para os fornos crematórios, passando pela descrição das refeições nem dignas de um animal, das condições climatéricas em que eram sujeitos a trabalhar, da extrema violência exercida pelos oficiais nazis...

Em termos concretos, reduz-se a pouca coisa: um operário civil italiano trouxe-me um bocado de pão e os restos do seu rancho, todos os dias, durante seis meses; ofereceu-me uma camisola sua cheia de remendos; escreveu por mim um postal para Itália e fez-me chegar a resposta. Por tudo isto, não pediu nem aceitou alguma compensação, porque era bom e simples, e não achava que o bem deve-se fazer-se para obter compensações.

Esta foi a citação que particularmente me marcou durante a leitura de Se isto é um homem. Nos campos de concentração, embora devessem unir-se e entreajudar-se, a maioria dos prisioneiros - fossem judeus, condenados, soldados capturados, etc., faziam de tudo para seu próprio benefício e sobrevivência mesmo que isso implicasse o sucumbir de outrem. Foi precisamente por isso que esta citação ficou presa na minha ideia - felizmente havia minorias, felizmente havia pessoa genuinamente boas e empenhadas em ajudar os outros que estavam na mesma situação ou pior que a sua mesmo que isso implicasse violência por parte dos nazis. Nós não somos bons ou maus por aquilo em que acreditamos, sejamos judeus, muçulmanos, cristãos. Nós somos bons e maus devido ao nosso caráter e à educação que nos é incutida, baseada seja em que crença ou falta da mesma for. Foi esta a maior lição que retirei desta maravilhosa obra de Primo Levi. Se querem ler um livro que mude a vossa vida leiam Se isto é um homem.

Características da obra:
- Título: Se isto é um homem
- Autor: Primo Levi
- Editora: D. Quixote
- N.º de páginas da 14.ª edição: 180

Já leram esta ou outra obra de Primo Levi? Gostam de ler sobre os temas de nazismo e holocausto?

Com amor,
Francisca